Longe da confusão e do rebanho.

2005/02/18

A Utopia, essa libertadora utopia!

As doutrinas políticas são concebidas à luz dos problemas e ambições de uma época, com um objectivo. Só quem é desprovido desse raro dom que é a capacidade de raciocínio, se propõe gerir um país baseando-se ferrenhamente numa dessas bengalas milenares. OK - estava-me a esquecer - elas são também porta-estandartes, elementos de marketing/propaganda... Se calhar nem estão a ser assim tão estúpidos, têm é outro objectivo...

Não, mas era lindo...
Façamos um case-study de aplicação de uma delas, tão boa como outra qualquer:

Todos os anos os metalomecânicos, operadoras têxteis, trolhas, sindicalistas, trabalhadores intelectuais e demais camaradas teriam os seus ordenados aumentados pelo menos o dobro do valor da inflação. Não! Isso seria demasiado esperto... Então pronto: todos os anos os ordenados seriam aumentados aquilo que os sindicatos pedissem. Tótil! Tinha outra vantagem: assim o regime não ficava mal visto e não era deposto pelo Batatoon (como lhe chama um amigo meu).

Agora para algumas das minhas amigas: os hipermercados e centros comerciais seriam imediatamente destruídos. Ah pois, são símbolos do perigoso capitalismo! Mas não fiquem tristes, fofas: esta grandiosa nação teria boas notícias também para vocês (LOL): o Estado implementaria Kolkoses, como nos tempos áureos desse belo império que foi a União Soviética, e cada cooperativado teria direito a uma casa ajardinada, um estábulo, um curral, um chiqueiro, um galinheiro e uma vaca por casal. Então lindas, não delirariam de felicidade?

E era tudo nacionalizado... mas mesmo tudo.
Porquê? Bolas, pensem, sua antas: para impedir finalmente que as empresas fossem à falência e deixassem os pobres trabalhadores desempregados. Porra, não me digam que ainda não decoraram: os patrões e o proletariado (já cá faltava) é que despedem os queridos dos trabalhadores, não os empregam, pagam-lhes mal, não os deixam ir à casa de banho...
Ah, e as importações seriam proibidas. É que mal essas empresas estatais encontrassem concorrência estrangeira faliam. Quer dizer, até não, nalguns raros casos de empresas que exportavam alguma coisa o estado subsidiaria as suas empresas com injecções de capital ad eternum e mandava a sua máfia secreta capar esses porcos nojentos dos gestores estrangeiros.

Bem, às tantas o Estado ia estar falido, à rasca, (sim, pior do que está!), e como tudo era «o Estado», os trabalhadores, as empresas, os serviços essênciais e os não essênciais, tudo pararia. E como, ainda por cima, defendem que relações internacionais são para ter, no máximo, com países tão pobres como o nosso, não teríamos a quem pedir dinheiro emprestado. Mas teríamos atingido o auge, porque sempre foi esse o objectivo dessa hipotética doutrina - nivelar o mundo todo pelo mesmo nível: o nível da grandessíssimo merda.

Eu não estou a falar de nenhum partido, fique claro! ...Estou a falar de mais do que um ;-)
E quem sou eu para falar? Não interessa, sou pai! LOL

1 comentário:

Anónimo disse...

Falemos claro! Os partidos que defendem essas utopias são a hipocrisia em pessoa, escondendo as suas reais intenções por detrás de ideias de moda, supostamente revolucionárias, para cativar uma faixa do eleitorado em fase de adolescente revoltado contra o sistema.
E ainda têm a lata de falar da hipocrisia dos outros políticos!